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JORNAL GUARABIRA
Desde: 19/10/2008      Publicadas: 1050      Atualização: 29/03/2016

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 CRÔNICAS
  22/04/2009
  2 comentário(s)


TEXTOS DIVULGADOS NA 104,9 MHZ
Nesta página estamos publicando as crônicas que são lidas por Levi Lobão (FOTO), no programa JORNAL DA COMUNIDADE, no horário das 07h00 às 09h00, na Rádio Comunitária Comunidade Geral FM, 104,9 MHZ.
TEXTOS DIVULGADOS NA 104,9 MHZ

36. Edição de 01.06.2009
Estamos com fome de amor
10 11 2007

Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e
transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam
sozinhas e saem sozinhas. Empresários, advogados, engenheiros que
estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos.
Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os
novíssimos "personal dance", incrível. E não é só sexo não, se fosse, era
resolvido fácil, alguém duvída?
Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber
carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de
um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que
vão "apenas" dormir abraçados, sabe essas coisas simples que perdemos nessa
marcha de uma evolução cega. Pode fazer tudo, desde que não interrompa a
carreira, a produção.
Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como
voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão
distante de nós.
Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de
relacionamentos ORKUT, o número que comunidades como:
"Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada
"Nasci pra ser sozinho!" Unindo milhares ou melhor milhões de solitários em
meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase
etéreos e inacessíveis.
Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a
cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o solteirão
infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que
verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa
verdade de cara limpa.
Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio,
démodé, brega.
Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer
ridículos, abobalhados, e daí?
Seja ridículo, não seja frustrado, "pague mico", saia gritando e
falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo
pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais (estou
muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca
mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso à
dois.
Quem disse que ser adulto é ser ranzinza, um ditado tibetano diz que
se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais,
pra quê pensar nele. Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o
dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser
estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out,
que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me
aventurar a dizer pra alguém: "vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou
outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu
não pedir que fique comigo tenho certeza de que vou me arrepender pelo
resto da vida".

Antes idiota que infeliz!
Autor: ARNALDO JABOR
Pesquisa em: http://cristianccss.wordpress.com/2007/11/10/estamos-com-fome-de-amor-arnaldo-jabor/




36. Edição de 28.05.2009
RELIGIOSIDADE E CIDADANIA

As diversas manifestações de religiosidade que caracterizam o fenômeno humano expressam formas de identidade cultural que devem ser, sobretudo, respeitadas. Todas as religiões, todos os cultos, todas as tradições espirituais devem gozar, primeiramente, de liberdade. Mais do que isso, é fundamental que todas e quaisquer expressões religiosas contem com os mesmos direitos e que lhes seja assegurado o mesmo tratamento por parte do Estado. Um Estado laico e democrático não pode privilegiar uma convicção religiosa, ou selecionar algumas como objeto de sua consideração ao mesmo tempo em que exclui, desconsidera ou legitima a exclusão de outras. Parece simples, não é mesmo? Parece, mas não é.

Muitas convicções religiosas no Brasil são tratadas com desprezo e mesmo desconsideradas enquanto tal. Para situar um problema desta natureza, bastaria lembrar a situação dos cultos africanistas em nosso país. Na Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da AL/RS temos, mais recentemente, iniciado um trabalho para a promoção dos direitos de cidadania dos adeptos dos cultos africanistas. No Brasil, tudo se passa como se esta tradição não existisse. Embora milhões de brasileiros frequentem terreiros e vivenciem os rituais dos cultos africanistas, o Estado brasileiro ainda não lhes concede a honra de considerá-los da mesma forma com que trata os adeptos de outras tradições religiosas. Assim, por exemplo, um paciente internado em um hospital que seja adepto da Umbanda dificilmente terá reconhecido o direito de receber assistência religiosa porque os hospitais costumam impedir o acesso dos umbandistas dispostos a oferecer este acompanhamento. Os presos de confissão católica podem receber assistência religiosa e algumas outras confissões mantém ativo trabalho dentro do sistema penitenciário. Os cultos africanistas, entretanto, não são recebidos nas casas prisionais. Com a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) reabriu-se a discussão sobre o ensino religioso no Brasil. Os governos estaduais foram, então, instados a formar comissões específicas com representantes das várias tradições religiosas para debater o tema. No RS, a comissão foi formada com representantes de várias religiões. Para variar, ninguém se lembrou de convidar uma representação dos cultos africanistas.

Além desta sintomática exclusão, os adeptos das religiões que nos foram legadas pelos africanos convivem diariamente com o preconceito; são tratados, não raras vezes, como "feiticeiros". Seus símbolos, suas datas e rituais, sua fé, seus valores, são solenemente esquecidos quando não afrontados. Por tudo isso, temos diante desta tradição cultural uma imensa dívida a ser resgatada. Pensando assim, estamos preparando na Comissão de Direitos Humanos da AL/RS uma série de iniciativas políticas e legislativas que procurem afirmar a cidadania plena dos que cultuam o africanismo. Se não por outro motivo, para que possamos construir uma democracia sem preconceitos.

Autor: Marcos Rolim - 29/06/98 Publicado no http://www.rolim.com.br/cronic53.htm cesso em 27.05.2009





35. Edição de 27.05.2009
Crônica do amor

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.

O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.

Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.

Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.

Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.

Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.

Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então?

Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.

Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.

Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara?

Não pergunte pra mim você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.

É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.

Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?

Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.

Não funciona assim.

Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.

Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!

Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.

Autor: ARNALDO JABOR, extraído de http://www.pensador.info/autor/Arnaldo_Jabor/




34. Edição de 26.05.2009
PARE, OLHE E ESCUTE

"Pare, olhe, escute"! Meu Deus, a placa ainda está ali, encurvada pelo tempo, desgastada pela chuva e pelo sol, mas ainda está ali e aguça a minha imaginação, me traz à mente instantes mágicos, cheios de imagens. Um turbilhão de imagens me assalta o pensamento e me faz parar e olhar para um lado e para o outro e para os trilhos... para a distância da linha férrea... E meu olhar se perde lá na curva. Espero um trem que não vem. O trem ficou lá atrás, nos verdes anos da minha infância e adolescência.
Passo em frente à placa de ferro, sentindo o gosto do passado, escutando o som das máquinas chiando sobre os trilhos. Assim vejo-me caminhando linha fora, com os livros na mão na direção da Rua prefeito Manoel Lordão, para estudar no Grupo Escolar Anthenor Navarro. E com o coração aos pulos, escuto o apito do trem, bem antes da curva. Lá vem o trem com seus inúmeros vagões. Afasto-me dos trilhos e deixo-o passar... Instantes grandiosos, inesquecíveis, que jamais se apagarão da minha mente. Eternizaram-se em saudades.
Agora estou atravessando a linha. A linha que separa o Bairro do Nordeste do Centro da cidade. E o vai-e-vem das pessoas é tranquilo, ninguém respeita a passagem do trem, pois trem não há mais e a ferrugem e o mato tomam conta dos trilhos. Que pena! E o pior: todo mundo passa e repassa e ninguém sofre a dor que este poeta sofre ao voltar seu olhar para o abandono que Guarabira deu à sua linha férrea, um patrimônio importantíssimo do município. Ai de ti, Guarabira se não fosse a passagens dos trens por suas terras!
Quantos escritores, políticos, religiosos e turistas contemplaram das janelas dos trens, as belezas naturais da cidade "Rainha do Brejo"? Certamente inúmeros. Figuras ilustres, a exemplo do escritor paraibano, José Lins do Rêgo registrou os trens de Guarabira nas folhas de "Meus Verdes Anos - considerada uma das suas mais importantes obras. Assim ele escreveu: "Da casa-grande via-se a chegada dos trens que cruzavam na estação. Havia os horários de Guarabira e do Recife. Via a carapuça das chaminés das máquinas, os carros de passageiros e ouvia os apitos de partida" (p. 75) "Ouvia do quarto os apitos dos trens. Chegava o de Guarabira e se punha a máquina a chiar como um porco na fraca. Ouvia mesmo o barulho das manobras, o bater das agulhas, o arrastar dos carros." (p. 78). Outro escritor de renome que passou por Guarabira e também registrou o fato nas páginas de um de seus livros ("Memórias antes que me esqueça") foi o paraibano da cidade de Areia, José Américo de Almeida.
Você percebe a importância dos trens que chegavam e saiam de Guarabira? A estação ferroviária local era um importante ponto de encontro que envolvia todas as áreas de interesses: culturais, religiosos, políticos... Local onde pessoas se encontravam, compartilhavam idéias e ações, afinal Guarabira nasceu em volta da antiga estação. E como está a estação atualmente? Como estão os trilhos? Como está a malha ferroviária que cruza Guarabira?
Ah, como seria bom se os políticos de Guarabira e da região dessem as mãos em prol da volta dos trens! Que se não voltassem os de passageiros, nem de transportes de cargas, mas que pudesse surgir um novo trem para o fortalecimento do turismo, que pudesse proporcionar a estudantes, crianças, adolescentes a visão e a leitura de um novo mundo, onde o verde das paisagens pudesse falar-lhes de paz, harmonia e respeito pelo meio ambiente. Trens que servissem para estudantes conhecerem as belezas naturais da região do Brejo e de outras regiões, que diminuíssem a distância cultural e histórica entre as cidades, que proporcionassem aos mais idosos o prazer de relembrarem os bons tempos de outrora. O retorno do trem seria o melhor remédio para o estresse e para a valorização das amizades.
Acredito que para o retorno dos trens só depende de uma coisa. Uma coisa tão simples: projeto. Um projeto na mão e a união dos gestores da região, além da ação popular e os trens voltariam a percorrerem os trilhos adormecidos. Se em outros municípios da Paraíba tem esse importante meio de transporte, porque Guarabira não pode ter? Mas como diz o cantor e compositor Zeca Baleiro: "É mais fácil cultuar os mortos que os vivos". Assim a ferrugem aumenta cotidianamente nos trilhos e o mato encobre o presente e o passado. Até quando? Pelo menos tenho os sons e as imagens dos trens para recordar e quem só conhece o significado do trem no dicionário?
Não é preciso dizer mais nada. Zeca Baleiro diz tudo:

"É mais fácil cultuar os mortos que os vivos
mais fácil viver de sombras que de sóis
é mais fácil mimeografar o passado
que imprimir o futuro
não quero ser triste
como o poeta que envelhece
lendo maiakóvski na loja de conveniência
não quero ser alegre
como o cão que sai a passear com o seu dono alegre
sob o sol de domingo
nem quero ser estanque
como quem constrói estradas e não anda
quero no escuro
como um cego tatear estrelas distraídas
amoras silvestres no passeio público
amores secretos debaixo dos guarda-chuvas
tempestades que não param
pára-raios quem não tem
mesmo que não venha o trem não posso parar
veja o mundo passar como passa
uma escola de samba que atravessa
pergunto onde estão teus tamborins
pergunto onde estão teus tamborins
sentado na porta de minha casa
a mesma e única casa"

(Minha casa- Zeca Baleiro)

Autor: ANDRÉ FILHO "
Professor, Poeta e comunicador da Rádio Comunidade Geral FM




33. Edição de 25.05.2009
Todos nascemos iguais, do mesmo jeito, vivemos de maneira diferente, alguns vivem bem, outros nem tanto e outros mal sobrevivem... Mas o fim, como o começo é igual, o destino de todos é o mesmo. Então, de que vale o orgulho? A soberba? É preciso entender que

NINGUÉM É MELHOR DO QUE NINGUÉM

Existem criaturas que se julgam superiores, e na verdade, não deveria ser assim. Por terem maior bagagem de conhecimento que outras, julgam ser superiores, achando-se com o direito de menosprezar aquelas que, menos favorecidas, não dispõe do mesmo cabedal de conhecimentos, mas que nem por isso podem ser consideradas inferiores. Não podemos nos esquecer de que cada indivíduo, é um especialista em seu campo de ação. Que seria dos intelectuais, sem os eletricistas que permitem que nunca falte luz em sua casa? Que seria de todos nós, não fosse o ingrato trabalho dos garis? Então, digam-me, alguém é melhor do que alguém? É uma interdependência total e completa, pois sempre existe alguém que complementa outro alguém. Todos precisamos de todos. Sempre teremos algo para ensinar a alguem e algo para aprender de outro alguem.
Ninguém pode se julgar superior, absoluto. Eventualmente pode ter mais conhecimentos porque teve mais chances para estudar, mas nem por isso pode achar-se superior.
A propósito, recebi de uma amiga uma frase muito interessante. Como ela teve o cuidado de anotar o nome do autor, posso informar este detalhe. Existe um brinde adicional para quem conseguir dizer rapidamente o nome desse autor, sem tropeçar na língua. Seu nome é Zálkind Piatigórsky. Quem o conseguiu, pode vir até aqui buscar o brinde, que é um beijinho na ponta do nariz... Vamos ao pensamento, que é lindo:
"A luz não veio ao mundo para zombar das trevas, mas para iluminá-las"
Que grande verdade... Essa é a atitude correta. Todo aquele que tiver mais "luz", deve procurar iluminar aqueles que não a tem, ao invés de menosprezá-los. A satisfação interior ao saber que estamos ajudando alguém a melhorar o nível de seu conhecimento é imensa.
Nunca podemos nos esquecer ainda, de que não somos detentores do conhecimento absoluto. Sempre existe algo que não conhecemos.
Exemplificando: um grande cientista, possivelmente não saberá consertar uma torneira. Então, apesar de todo seu cabedal de conhecimentos, ele vai precisar dos conhecimentos específicos de um humilde encanador.
Tudo na vida é uma troca de conhecimentos. Assim sendo, antes de zombar de alguma pessoa que seja ignorante naquilo em que você é sábio, procure saber se seus conhecimentos são tão profundos, que dominam também a especialidade desse alguém.
Como é praticamente impossível ao cérebro humano absorver o conhecimento total, sempre devemos manter nossa humildade e, da mesma maneira que procuramos saber mais, também devemos dividir com os outros aquilo que sabemos, ao invés de nos vangloriarmos de nossos conhecimentos profundos sobre determinado assunto, tachando de ignorantes aqueles que não tem o mesmo grau de conhecimento.
Será que não existe alguma coisa que um humilde faxineiro nos possa ensinar? Não tenha dúvidas de que existe. Nem que seja uma lição de humildade. E essa, amigos, já é uma grande lição de vida que, se bem aproveitada, pode nos ensinar a viver melhor, pois poderá nos mostrar que o orgulho desmedido que muitas pessoas sentem por suas origens, por sua situação financeira, ou por seus conhecimentos, muitas vezes pode se virar contra elas, já que sua atitude acaba afastando muitos amigos, que poderão se cansar de certas atitudes prepotentes e as deixam sós. E de que vale o orgulho nessa altura dos acontecimentos?
Nunca podemos nos esquecer de que as pessoas mais humildes, que não tiveram oportunidade de estudar em boas escolas, aprenderam o que sabem, cursando a Escola da Vida, que é a melhor de todas as escolas, propiciando grandes ensinamentos.
Então crianças, o negócio mesmo é procurar dividir nossa "luz" com quem não a tem, ao mesmo tempo em que podemos nos iluminar um pouco com a "luz" que outras pessoas tem, e da qual somos carentes. Assim, ao mesmo tempo em que aumentamos nossa "área iluminada", "iluminamos" áreas alheias. Não lhes parece uma troca justa?
E assim, será muito mais fácil e gratificante lembrar de agradecer ao Amigão por nos proporcionar mais um LINDO DIA.

Autor: Marcial Salaverry - Extraído de http://www.planetaliteratura.com/index.php?view=detalhesartigo&codigo=76527
Acesso em 25.05.2009




32. Edição de 22.05.2009
O PODER DA ESCRITA (I)

Diriam muitos que reconhecem bravamente o poder de um texto escrito.
Outros, que a escrita é sempre subordinada à fala. Muitos que a escrita não afeta outras pessoas tanto quanto o verbo. E mais alguns que ela é inatingível. Esta semana, deparei-me com uma controvérsia de total desconhecimento a respeito da escrita e pude comprovar que ainda existem pessoas que sonegam a ela seu real valor.
Pois bem, nas nossas escolas inicia-se a sôfrega trajetória da aquisição da escrita. Ela é uma habilidade especificamente letrada e sim, como diriam alguns professores do letramento, é adquirida. O século XXI é o século da escrita. Nunca se escreveu tanto, nunca tantos livros foram publicados e artigos compartilhados nos meios impressos do que neste início de século. A escrita tomou uma dimensão tal que até quem pouco escreve decidiu que pode publicar. As editoras ou ficaram menos exigentes ou também se inseriram na indústria cultural que visa a comercialização rápida. Fator positivo ou não, a verdade é que o texto escrito é hoje o grande triunfo de quem adquiriu e faz uso da cultura letrada.
Entretanto, ainda há pessoas que sonegam à escrita sua real importância.
Pessoas que deveriam cultuá-la e vivenciá-la. Nas escolas, ainda há muita problemática em torno da escrita. De um lado, a aprendizagem opressiva das regras gramaticais; de outro, a liberdade nas asas das palavras da literatura. Os professores, revestidos da exigência da formalidade excessiva; os alunos, deleitados pelas metáforas e subjetividade da escrita literária. Foi por causa de tudo isso que surgiram os gêneros textuais, para que se leiam e se escrevam textos seguindo a semiótica de cada criação.
Não há como negar, no ensino da Língua Portuguesa, a inclusão de conhecimentos inovadores e construtores na formação de novos e bons escritores. Critica-se a pesquisa, critica-se a literatura, critica-se a linguística; mas não seria o próprio crítico um ausente de criticidade de si mesmo? A ideia é que pensemos mais no que escrevemos, no que queremos que os outros escrevam e no real e inabalável estado documental de todo e qualquer texto escrito. O bom e velho "tudo o que você disser poderá e será usado contra você", não deixa de ser uma verdade absoluta.

19 de maio de 2009.

Rosângela Neres
Professora de Língua Portuguesa - UEPB
Doutoranda em Literatura e Cinema " UFPB




31. Edição de 21.05.2009
Vergonha da Vergonha

Pelé é o maior patrimônio vivo do Brasil. Talvez em toda a historia brasileira ninguém tenha conseguido demonstrar de forma mais universal o gênio nacional. Por isso, choca ouvir o símbolo de nosso êxito afirmar que tem vergonha do seu país. Ao dizer isso, ele mostrou o sentimento de envergonhada indignação diante da pobreza, da violência, da corrupção na vida brasileira, especialmente entre os políticos e os que conduzem os destinos do pais. Maior ainda é a vergonha de perceber que Pelé, envergonhado como está com os destinos do Brasil, provavelmente votará, outra vez, escolhendo os mesmos que fazem o Brasil que o envergonha. Porque a elite brasileira prefere viver na vergonha a arriscar a perda dos seus privilégios.

Não é apenas ele. Em um de seus programas recentes, a grande apresentadora Hebe Camargo disse que, se fosse colocar os nomes dos corruptos um sobre o outro, a altura do auditório do SBT não seria suficiente.Ela falava lembrando o caso especifico de São Paulo, onde sempre votou nos que agora a envergonham. E aos quais certamente vai preferir, para não votar em nomes que representem um novo do qual ela tem medo.

A elite brasileira está descontente com o Brasil, mas nas eleições prefere que ele continue como está, a mudar ameaçando qualquer dos seus interesses e privilégios.

Quando a elite brasileira declarou a independência, preferiu manter um imperador, filho do rei da metrópole, para não correr o risco de um presidencialismo que poderia escolher algum plebeu, "antes que algum aventureiro lançasse mão". Quando libertou os escravos, não lhes deu terras, nem lhes permitiu freqüentar escolas, com medo de um Brasil onde os negros tivessem força. Proclamou uma republica, dizendo "façamos a revolução, antes que o povo a faça". Não deixou que ela fosse construída por meio da educação universal e de qualidade dos filhos do povo. Fez uma república aristocrática, com doutores e excelências no lugar dos condes e barões. Fez um desenvolvimento sem distribuir o resultado. E cada vez que alguma liderança propunha mudança de rumo, a elite envergonhada com a pobreza ao redor não tinha vergonha de dar um golpe militar para que a pobreza não fosse eliminada às custas de qualquer dos seus privilégios.

Em 1989, ofereceu-se a possibilidade de arriscar um presidente com proposta alternativa, mas a elite preferiu não arriscar. Não aceitou o risco de eleger um operário que nenhuma culpa tinha com o passado que envergonha. Preferiu um dos seus, apesar do passado de envolvimento nas vergonhas nacionais. Arrependeu-se envergonhada, mas quatro anos depois repetiu o voto nos mesmos partidos e políticos, ao redor de Fernando Henrique Cardoso, que ha décadas constróem a vergonha que ela diz sentir.

Eles mudaram o nome do candidato, para nada mais mudar. Agora, como Pelé, a elite manifesta indignação, vergonha, mas certamente vai repetir o voto. Votará naqueles de quem diz ter vergonha. Isso até poderia ser justificado, se as opções em vista representassem revoluções radicais. Mas todas são moderadas. Propõe-se construir um pais decente, com uma democracia republicana, que respeite o povo, onde os direitos a justiça, a segurança e a uma parte digna do produto nacional sejam assegurados a todos. Um país com escola para todas as crianças, sistema de saúde assegurado a todas as famílias, todo adulto com direito a um emprego.

Isso exige mudança de postura, inversão nas prioridades, eliminação de privilégios cada dia mais difíceis de manter. Em troca, oferece o orgulho de viver em um pais decente. Todos querem isso. Mas Pelé e o resto da elite não vão correr qualquer risco. Vão votar em um deles, que não represente mudanças. E daqui a anos voltarão a dizer que sentem vergonha.

Sinto um profundo orgulho de meu país, de um povo que é capaz de suportar tanto sofrimento, sem desesperar, de um país que tem um Pelé; mas sinto vergonha da vergonha que a elite diz sentir, e até sente, preferindo nela continuar, por medo de perder qualquer um de seus privilégios. Sinto vergonha de quem sente vergonha mas nada faz para eliminar as causas de sua vergonha.

Autor: Cristovam Buarque




30. Edição de 20.05.2009
NÃO FOI DIVULGADO TEXTO

29. Edição de 19.05.2009


28. Edição de 18.05.2009


27, Edição de 15.05.2009


26. Edição de 14.05.2009
O mundo precisa de paz

O mundo precisa de paz. Sem paz já não se consegue viver em união. Sem companheirismo, sem alegria, sem amor, sem amigos para conversar tudo se torna triste. O mundo precisa de paz, pois na ausência dela, jamais poderemos viver em harmonia. Em desarmonia haverá então tristeza, morte, solidão e quando as crianças saírem às ruas, arriscarão suas vidas e poderão morrer, atingidas por balas perdidas.
Às vezes fico triste, quando estou assistindo a TV e vejo as reportagens de guerra, por exemplo, no Iraque, quando as pessoas não podem nem sequer sair de casa para comprar alimentos. Cada pessoa tem de arriscar a própria vida, saindo até a rua, pois se recuarem morrem de fome. Tudo isso é triste. Também vejo soldados morrendo de tiros, outros sendo estraçalhados e alguns que não têm nada a ver com a guerra, morrem por causa da violência.
Na TV também vejo a violência dos dias atuais. Hoje vi um policial que estava de vigia. À noite, abriu uma cela, onde um preso estava dormindo, e começou a espancá-lo com madeira, ferro etc.
Eu vi também o treinamento de soldados. Eles tinham de comer no chão, atravessar rios e lagos com jacarés. Tinham de passar debaixo de arame, cavar buracos com mais de um metro de profundidade e ficarem por bastante tempo sem comer e beber água...
Cenas alarmantes. Poderiam ser diferentes.
Acho que no Brasil não deveria ter violência, pois a maioria das pessoas não quer brigar, não são violentas. Por outro lado, há pessoas que roubam, matam e humilham o semelhante. São pessoas frias, de coração de pedra. Fazem o mal e ficam soltas por aí...
Se todos que roubassem ou cometessem crimes fossem presos e pagassem por seus atos, não fariam mais, os índices diminuiriam. Sem armas não haveria mortes. Que se destruam então as armas e não as fabriquem mais! Sem armas de fogo a polícia poderia combater a violência apenas com armas de borracha.
As pessoas devem se unir mais para que todas as armas sejam destruídas e assim possam melhorar o nosso país. O mundo seria bem melhor, sem brigas, sem guerras. Reinaria apenas o amor e a amizade.
Vamos nos conscientizar sobre tudo que está acontecendo. Uma vez conscientes, poderemos mudar o mundo para bem melhor.

Guarabira, 12 de maio de 2009.

Autora: SUZIÉRICA ALVES " Aluna do 7º Ano do CAIC - Guarabira-PB.




25. Edição de 12.05.2009
MAPA
Tinha tanto remendo
a calça do Raimundo
que ele estudava nela
a geografia do mundo
- Maria Dinorah


Na última quinta-feira na Universidade Federal da Paraíba, durante a aula do Texto Poético, deleitei-me com esse lindo poema, de Maria Dinorah. Quantas imagens semiotizei, lembrei de como os remendos poderiam disfarçar uma vida, uma situação, ou até mesmo um segundo indesejado, porém inevitável.
Mapeie a vida inteira meus sonhos, e viajei durante dias e noites neles, acreditando que o dia seguinte seria melhor que o anterior. Superei os maiores obstáculos que uma criança pudesse imaginar, ou talvez um adulto. Teci em meus sonhos uma meta, não apenas uma simples meta, mas uma razão de existência, uma sobrevivência. Não foi fácil, nada fácil mesmo.
No tecido, resquício do tempo, acúmulo de dores e marcas de persistência, todos os elementos encobertos pelo remendo. Oh, remendo! Remediasse minha vida por longos meses e anos, seguisse os meus passos, subindo e descendo as escadas do "Sílvio Porto", quão doloroso era esse tempo, enquanto sorria por não ser listado em provas finais, nem tão pouco reprovações.
Menino raquítico, Raimundo. Estendo a mim esse heterônimo. Engraçado, jamais pensei que seria Raimundo, achei que ter recebido o nome em homenagem ao papa já me fazia um vencedor, e nisso acreditei, acredito e quero sempre acreditar. Mais como era difícil acreditar, uma vez que no jantar a oferta era tão fracionada quanto às liquidações das datas comemorativas.
Nada se compara aos sonhos expostos como também os mais íntimos, a falta de um complemento alimentar, de alguns centavos para comprar um pastel, nem tão pouco o deboche do colega que comprara o pastel e dizia: "quer?", sim. Vá comprar, parece até piada do seriado Chaves, mais tantas vezes ocorreram. Tudo isso não passava de ofensas passageiras e inatingíveis aos sonhos de um amante da vida, do livro... humm, coisa rara em minha vida.
Livro, como gostaria de tê-los, lê-los. Infelizmente, não os tinha, ficava apenas com as leituras feitas em sala pelas amadas ex e para sempre professoras Oneide Constantino e Zelita Ferreira. O colibri e o beija-flor, o que dá no mesmo alegrou os meus dias e alimentou os meus sonhos, a Banda, de Chico Buarque emocionou o pobre menino que via a banda passar cantando coisas de amor através de o livro da sétima série utilizado pela professora durante as aulas. O poeta é um fingidor, e me fez acreditar que no fingir surgem verdades, verdades que me trouxeram alegrias, livros, verdades, verdades.
O que seria de mim sem eles? Sim, sem os remendos, os quais fortaleceram o menino, transformando-o.

Autor: João Paulo Fernandes - Professor de Língua Portuguesa (UEPB) / Mestre em Línguística (UFPB)




24. Edição de 11.05.2009
O mundo em que vivemos

Vivemos em um mundo onde a liberdade é um direito,
mas muitos não a possuem.
Onde a paz é um desejo,
e a guerra uma necessidade prazerosa.
Onde a vida não é aproveitada,
por causa do temor à morte.
Onde sinceridade, muitas vezes torna-se indelicadeza,
e a falsidade é uma atividade do nosso cotidiano.
Onde a inteligência humana salva vidas,
e a ganância tira várias.
Será que os fins justificam os meios?
Não! Os meios devem ser justificados,
mas com sabedoria e bom senso.
Um mundo onde um bandido com paletó é respeitado,
entretanto um mendigo honesto é queimado,
enquanto descansa de um dia de sofrimentos.
Onde os criminosos têm regalias, ou estão soltos,
e as famílias são obrigadas a se trancafiarem nas suas próprias casas.
Abrangendo a frase de um poeta que interrogava:
"Que país é este?", pergunto-me:
Que mundo é este? Onde a única certeza,
é em relação a sua forma.
Um mundo onde tudo se faz por dinheiro,
e quem não segue as normas é "deixado para trás".
Onde todos devem ser doutores,
por vontade ou pressão.
O que será das outras profissões?
Onde o ilícito é muitas vezes confundido com o lícito,
e as atitudes lícitas tornam-se cada vez mais raras.
Um mundo que cria máquinas de última geração,
mas não consegue achar uma solução para a poluição.
Um mundo que sem saber, ou até mesmo sabendo,
destrói a si mesmo, em prol do lucro.
Mas "para não dizer que não falei de flores".
Vivemos em um mundo onde muitas pessoas fazem o bem,
sem o interesse de receber nada em troca.
Onde "o homem é o lobo que devora o próprio homem",
mas frequentemente é o "São Bernardo" que o resgata do perigo.
Onde alguns pais matam os filhos,
e outros dão a vida pelos mesmos.
Onde a criança vive inocentemente e vive em uma utopia encantadora.
É neste lugar misterioso e fascinante que vivemos,
onde uma semente chamada esperança,
é plantada junto com cada feto.
E o desejo de um futuro melhor é comum a todos.
Sendo assim, enquanto houver esperança,
verei o mundo com um olhar crítico, mas otimista.

Ruan Pereira Passos,
São Félix - BA - por correio eletrônico / Endereço eletrônico: rp_passos@hotmail.com
PUBLICADO NO JORNAL MUNDO JOVEM





23. Edição de 08.05.2009





22. Edição de 07.05.2009





21. Edição de 06.05.2009
QUAL É O LIMITE?

Após doze anos em sala de aula, estive pensando em acontecimentos corriqueiros do dia-a-dia, nos sorrisos, nas lágrimas, nas insatisfações salariais, com colegas, alunos, enfim, cogitei por alguns segundos a pergunta: será mesmo que essa profissão é a que devo seguir?
Não demorou muito e outras imagens me vieram à tona, a exemplo do meu primeiro dia como professor, com apenas quinze anos, em dez de fevereiro de 1997, fui presenteado com uma turma de terceira série, hoje quarto ano, olhinhos brilhantes, alguns com a mesma idade que eu, mais um respeito enorme pelo jovem, que a partir dali seria o companheiro de atividades diárias, um mediador de conteúdos e juntos construiríamos conhecimentos.
O tempo passou e outros espaços foram conquistados, primeiro o curso Magistério, depois o curso de Letras, a Especialização, o Mestrado. Não quero aqui exaltar a titulação, mas enfatizar que o nosso crescimento depende dessa busca constante pelas atualizações, pelas leituras, e realização profissional; conscientizando de que o nível de escolarização faz de você um sujeito mais próximo de problemas e suas soluções, de compreensão e menos preconceito.
Bem, mais ainda tentando responder a questão feita anteriormente, nem sei ao certo se há alguma resposta para tal, tento suscitar no tempo marcas que possam talvez me ajudar. Como pensar em desistir da profissão quando em meu aniversário, nada me fazia sorrir, daí uma turma concluinte do Ensino Fundamental me proporciona uma apresentação exclusiva, mostrando minhas qualidades durante todo o ano e, que aquela representação teatral tinha muito da alma de seu professor? Seria trair cada criança, adolescente e jovem que sempre acreditaram em mim, me tinham como exemplo. Como poderia deixá-los a mercê quando o meu trabalho ultrapassava as páginas do livro e as paredes da sala? Como esquecer que minha imagem não era borrada, mais uma tela com suas mais expressivas cores? Não seria feliz se deixasse tudo isso para trás.
Não é fácil abandonar o barco quando você levou anos para construí-lo. E como seria útil quando visse alguém que joga o lixo na rua?, Xinga o colega?, Liga o som no último volume?, Convida vários colegas para casa e não respeita as normas da boa convivência?, Entra um idoso no ônibus e não cede o lugar? Critica o filho em público etc. Não que seja o transformador do mundo, mais o único lugar que ainda proporciona tal utilidade é a sala de aula, nela a autonomia pode construir um novo ser a não praticar tais faltas de educação, além de mostrar o limite de cada um.
O limite existe. Não quero limitar sonhos, apenas contribuir para a sua realização. Não quero limitar as esperanças, apenas acreditar que tudo pode melhora. Não limitar um aluno, quero acreditar em seu potencial de chegar sempre mais longe.

Em 04 de maio de 2009.

Autor: JOÃO PAULO FERNANDES - Professor de Língua Portuguesa " UEPB / Mestre em Línguística - UFPB



20. Edição de 05.05.2009
MULHER NA MÍDIA
A imagem das brasileiras lá fora

Por Ligia Martins de Almeida em 28/4/2009

Mestra em filosofia, tradutora e escritora, Rachel Gutierrez escreveu ao colunista Joaquim Ferreira dos Santos, de O Globo:

"Num dos jornais de maior tiragem do nosso país, O Globo, você publicou ontem um artigo de meia página, no 2º Caderno, intitulado `Que Bunda!´ com o subtítulo: `Caetano põe música no mais insistente pensamento positivo que move o país´. Você escreve bem, é engraçado, inteligente. Mas seu artigo me remeteu a uma experiência bastante desagradável que tive em Palermo, na Sicília, num táxi que levava ao aeroporto a mim e minha irmã, duas senhoras moradoras há várias décadas nesta cidade que tanto amamos e que por tantos motivos nos entristece " o Rio de Janeiro. Para nosso espanto, o taxista italiano, assim que percebeu que transportava brasileiras, perguntou: `É verdade que no Rio de Janeiro estão as melhores bundas do mundo?´ Sentindo-me humilhada, constrangida, envergonhada, respondi que não sabia mas que ouvira dizer, por outro lado, que no Brasil, os italianos são considerados `tutti cornutti´! Resposta pronta e grosseira da qual não me orgulho porque reconheço que a nossa reputação no exterior, alimentada exaustivamente pela nudez das mulheres nas praias e no carnaval, ofusca o crescente número de estudantes e profissionais do sexo feminino que já ultrapassa os 60% nas áreas da advocacia e da magistratura, na medicina e na pesquisa científica apesar de que, como escreveu sua colega Míriam Leitão (25/12/2008) `as mulheres têm escolaridade maior mas a diferença salarial aumenta quanto mais se estuda´; mesmo assim, a presença feminina sobressai também nas ciências sociais e no magistério secundário e superior. E não vamos esquecer o sucesso das mulheres nas artes, na música, no teatro e na literatura, no atletismo e até mesmo no futebol. Vermos a mulher brasileira como apenas capaz de inspirar um tão reducionista `Que bunda!´ que você propõe como `mantra nacional´ é esquecermos perversamente, desculpe-me, Joaquim Ferreira dos Santos, perversamente, sim, que além de tudo isso, as estatísticas revelam que a cada 15 segundos uma mulher é espancada no Brasil; que a maioria dos assassinatos de mulheres são cometidos por seus parceiros homens, maridos ou namorados; que nas regiões mais sacrificadas da população, 80 ou 90 % das famílias são chefiadas por mulheres trabalhadoras; que não apenas no nosso extenso e esquecido interior, pais estuprarem e engravidarem filhas crianças e adolescentes é crime corriqueiro e quase sempre impune; e que a prostituição infantil, o tráfico e o crack destroem a cada dia a vida de milhares de crianças inocentes etc. etc.. Joaquim Ferreira dos Santos, a era festiva do Pasquim já passou. Sejamos honestos, não temos mais clima para reduzir levianamente à bunda, as mulheres que além da bunda, têm o corpo inteiro, personalidade, inteligência, qualidades psicológicas e sociais e um olhar de ser humano como o seu."

Casos complicados
O cronista não é culpado pela imagem da mulher brasileira lá fora. Afinal, ele faz textos " inteligentes, como disse a leitora " e não é responsável pelas imagens divulgadas pela mídia internacional, mostrando as mulheres cariocas na praia, com roupas sumárias. Nem são dele as imagens das mulheres quase nuas nos desfiles de Carnaval, que rodam o mundo todo ano mostrando a grande festa do Brasil.

A culpa não é do cronista e talvez nem seja da imprensa escrita. As imagens, nesse caso, valem mais do que mil palavras. E, infelizmente, a imagem da mulher brasileira que se vê lá fora é de mulheres nuas na praia e nos desfile de carnaval. Ou mesmo nas praias e piscinas dos hotéis do hemisfério norte, onde nossas conterrâneas desfilam de fio dental em contraste com bem comportados maiôs das senhoras locais.

O resultado é que quando se fala de Brasil, nos filmes e séries, a imagem é sempre a pior possível. O Brasil é o país para onde fogem os criminosos e golpistas e o país das mulheres sensuais e disponíveis. É só dar uma olhada na programação da TV paga. Outro dia, num episódio de CSI, a personagem brasileira era uma mocinha de 16 anos, que se prostituía nas ruas. Em um episódio antigo de House, o Brasil era citado como o lugar onde um funcionário do governo americano tinha sido envenenado, durante os sete dias de Carnaval. E é bom lembrar: foi o Brasil que deu nome à depilação sumária da virilha, grande sucesso nos Estados Unidos.

Não é de admirar, portanto, que o governo americano se empenhe tanto em levar de volta o menino Sean, trazido para cá pela mãe, que foi casada com um cidadão americano. Não é admirar, também, que uma brasileira tenha perdido a guarda das filhas para uma cidadã portuguesa, que a induziu a ir morar em Portugal com as duas filhas, e que agora luta na Justiça portuguesa por seus direitos.

Segundo passo
Mudar essa imagem não vai ser uma tarefa simples. E nem adianta cronistas mudarem o tom de seus textos e passarem a louvar a mulher brasileira por méritos outros que não os de uma bela bunda. É necessária uma outra postura de toda a mídia para influenciar a própria atitude das mulheres brasileiras. Aquelas que se destacam por seus feitos no mundo das ciências, das artes, dos negócios " ou ainda as que são espancadas diariamente " não aparecem nos jornais e na TV. O espaço é ocupado pelas que têm belas bundas.

O papel da mídia " TV e jornais " deveria ser mais educativo. Mostrar que os decotes escandalosos e as barrigas de fora com que as turistas brasileiras costumam escandalizar as ruas de Europa e Estados Unidos são apenas para certas ocasiões e certos locais. Mostrar o uso inteligente das tendências da moda. Tentar ensinar, inclusive, as confecções a desenvolverem modelos dentro da moda, mas adequados aos hábitos internacionais, pois as mulheres nem sempre se vestem como gostariam, mas com o que encontram nas lojas, ainda que não seja a seu gosto.

Um segundo passo seria parar de exportar imagens de mulheres nuas no Carnaval e se empenhar mais em defender as mulheres espancadas, estupradas e agredidas. Ou simplesmente aquelas discriminadas no mercado de trabalho, em benefício de homens nem sempre competentes. Quem sabe em uma ou duas décadas os italianos esqueçam que, no Brasil, as mulheres também são mamas e nonas, e não apenas as melhores bundas do mundo.

Extraído do Jornal Observatório da Imprensa: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=535FDS001




19. Edição de 04.05.2009
As fronteiras do casal

Homem e mulher não se casariam se não achassem que vale a pena.
E não tentariam a vida a dois se não sentissem que é melhor casar do que viver só, especialmente depois que se conheceram.
Quando o sentimento é forte e bonito, qualquer sacrifício vale a pena,
inclusive o de ter que aceitar limites.
Limites e fronteiras são o que mais acontecem num casamento:
os limites dele, os dela e os dos filhos.
São esses limites que exigem demarcação de fronteiras como num continente
chamado amor, onde os países precisam determinar seus territórios.
Cada país permanece único com suas características muito especiais,
sua linguagem e seu jeito de ser.
Ao mesmo tempo, precisam formar acordos bilaterais e determinar até onde,
quando e por quê.
O universo dele encontra o dela.
Em muitos aspectos se fundem e em outros jamais se fundirão.
Ele precisa saber até onde pode ir, sem prejudicá-la, e ela tem que saber
até onde insistir e até onde aceitar.
Quando ele entra demais no terreno dela e, sem licença,
desrespeita as leis daquele universo feminino, e vice-versa,
tem que haver um passaporte
chamado diálogo, carinho, ternura.
Ela não tem que ceder em tudo, nem ele.
Ela não tem que pedir desculpas o tempo todo, nem ele.
Tem que haver perdão e ponto final sobre aquele assunto.
Deve haver um limite para tudo.
Quem quer um casamento sem proibição, sem fronteira nenhuma e
sem limite algum, quer um relacionamento histérico.
Fazer o que se quer num casamento é o mesmo que não estar casado,
porque o casamento é a decisão de não mais fazer o que se quer
e sim o que se quer a dois.
Toda a teimosia de não permitir ou não prestar contas acaba em guerra de fronteiras.
O Casamento é a junção de dois países que decidiram formar uma federação.
Cada qual permanece o país que é, mas optam por caminhar juntos
sob dois governos que se consultam sempre.
Permanecem soberanos, mas fazem tudo em comum.
Algumas coisas permanecem fora do contrato,
porque a individualidade e a privacidade são privilégios da pessoa.
O marido sabe que há momentos que são só dela,
e ela sabe os momentos que são só dele.
Fronteiras e limites.
Sem isso, não há liberdade no casamento.
Por incrível que pareça, é a demarcação dos limites e das fronteiras
que estabelece a liberdade do casamento.
Muita gente se machuca por não admitir nem aceitar limites.
Como casar não é para anjos e sim para homens e mulheres,
então que aceitem os limites e façam bom uso deles.
É questão de demarcar.
Nada mais bonito do que dois países formando uma só nação.
Quem consegiu garante que vale a pena.
O resultado é uma família em que as palavras pai, mãe, filho, filha, mano, mana
são gostosas de ouvir.
Ali, todo mundo é livre, exatamente porque ninguém faz apenas o que quer,
pois conhece e aceita a fronteira do outro.

Pe. Zezinho, scj - Do livro: Orar e pensar como família - Paulinas. FONTE DE PESQUISA: http://www.padrezezinhoscj.kit.net/




18. Edição de 01.05.2009
LIÇÕES DE VIDA

Valorizar a pessoa humana é, acima de tudo, reconhecer e respeitar a sua história pessoal. É muito bom quando paramos para escutar alguém, mesmo que seja por apenas um minuto... quem sabe se não temos a palavra certa capaz de desvendar os enigmas dos seus sonhos ou pesadelos? Importante mesmo é vivenciar de perto a sua realidade - mas isto requer que estejamos bem preparados, sabendo que aquela pessoa que está bem a nossa frente tem vários defeitos como qualquer outro ser humano. Temos que ser humildes à ponto de saber entender os seus desafios, alegrias e desabafos.

Quantas lições de vida não aprendemos com as pessoas mais velhas? Só não consigo entender o porquê de tanta insensibilidade de alguém que chega ao ponto de abandonar ou próprio pai ou a mãe num asilo. Afinal, as pessoas mais idosas são detentoras de grande sabedoria e de experiências que lhes fizeram existir até os dias atuais. O mundo seria bem melhor se chegássemos a escutar os conselhos e os ensinamentos dos anciãos, ao mesmo tempo em que também cuidássemos melhor das crianças, principalmente daquelas que não têm um conforto de um lar e o carinho de seus pais - oferecendo-lhes melhores condições, a exemplo de calor humano, de uma melhor formação e de educação. Você bem sabe que "viver" não é uma missão tão fácil no dia-a-dia... é um desafio! E que desafio!!! Quantas dificuldades, fracassos e desânimo não enfrentamos no cotidiano?

Entretanto, a nossa vontade de vencer e de acreditar que, de repente, tudo pode mudar e se tornar diferente - assim como a lagarta que se transforma em crisálida para em seguida tornar-se uma linda e colorida borboleta... assim deve ser comparados os instantes que compõem a nossa existência. Existe uma variedade de cenas, que parece até infinita, formando as imagens do que poderíamos afirmar ser um filme da nossa própria história pessoal, onde cada detalhe, cada ato, cada palavra vai sendo registrado e impresso no roteiro da nossa existência.

Daí a necessidade de preenchermos o nosso cotidiano com cenas boas, eliminando tudo o que possa nos tornar escravos de si mesmos e dos outros. Acredito que um dos nossos maiores erros é fazer-se acreditar que o que é bom para nós é também para o próximo. E, na maioria das vezes, a realidade é bem diferente... então nos fechamos no nosso individualismo e esquecemos (ou nos fazemos esquecer que cada pessoa é diferente da outra) - é assim que todo tipo de discriminação começa a existir na nossa maneira de ser e de estar.

O mais importante então, não é a beleza física, mas o interior de cada pessoa. Quem é capaz de entender isto, já sabe definir a importância que cada ser humano tem nesta missão que lhe foi confiada por Deus no decorrer dessa sua existência terrena. Que saibamos, portanto, valorizar a aceitar a história pessoal de cada pessoa: do ancião, da criança, do deficiente, do pobre, do oprimido...

23.03.98.

André Filho - Professor, Poeta e Comunicador da Rádio Comunitária Comunidade Geral FM de Guarabira. Crônica divulgada anteriormente no programa "Canal Livre" apresentado por Cláudio Cunha, na Rádio Constelação FM (1998). O texto também serviu de roteiro e narração para um curta metragem filmado pelo grupo de crisma "Sementes da Fé" da Comunidade São Pedro e São Paulo (1999).



17. Edição de 30.04.09
LEI DE IMPRENSA
Muito além da letra da lei

Por Alberto Dines em 28/4/2009

O Supremo Tribunal Federal deve votar na quinta-feira (30/4) a proposta de extinção da Lei de Imprensa, parte do chamado "entulho autoritário" herdado da ditadura militar. A iniciativa é do deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) e já teve dois votos favoráveis: dos ministros Carlos Ayres Britto (relator) e Eros Grau.

Caso não se repita a recente refrega entre o presidente da corte Gilmar Mendes e o ministro Joaquim Barbosa, e os ânimos dos meritíssimos estejam efetivamente serenados, é possível que a votação se encerre nesta semana.

O deputado Miro Teixeira está eufórico com a nova oportunidade de vestir a toga na mais alta instância judiciária. Mantém-se completamente afastado do turbilhão que envolve a totalidade dos seus pares na Câmara Baixa (baixíssima, aliás) envolvidos nas mordomias e no tráfico das passagens aéreas.

A euforia do deputado é justificada: a Lei de Imprensa é um estatuto caduco. Porém sua extinção pura e simples não resolverá os problemas relacionados com a liberdade de expressão e acesso à informação. Nosso jornalismo " digital, eletrônico ou impresso " não se tornará mais qualificado, mais livre e mais responsável no momento em que for extinta, integral ou parcialmente, a famigerada legislação promulgada em 1967, há 42 anos.

Rapidez e firmeza
Miro Teixeira está vivamente empenhado em acabar com este símbolo do autoritarismo. Acredita que uma imprensa é livre a partir do momento em que supera os constrangimentos impostos pelos poderes políticos, militares e econômicos.

Ainda não sabemos o que pensa o ex-jornalista, ex-ministro das Comunicações e incansável parlamentar a respeito do acesso irrestrito à informação, concentração dos meios de comunicação nas mãos de poucas empresas e, sobretudo, qual o seu projeto para a criação de entidades capazes de constituir um contrapoder democrático ao poder incontrolado dos grandes conglomerados de comunicação.

O direito de resposta é uma questão que ocupa nossos legisladores desde os tempos da primeira Carta Magna. O "crime de imprensa" é uma noção antiquada que, para ser efetivamente removida, necessita de um ambiente informativo pluralista, diversificado, sem o qual a sociedade jamais saberá com precisão qual é a ofensa, quem o ofendido e o ofensor.

Mas existem novas circunstâncias, criadas a partir da redemocratização, que precisam ser encaradas com rapidez e firmeza de modo a evitar que a eventual extinção da abominável Lei de Imprensa não se transforme em ritual remotamente semelhante à conquista da liberdade.

Processo de mudança
Se a Lei de Imprensa é o símbolo da ditadura, a sua eliminação não pode ser simbólica nem subjetiva. Se o deputado Miro Teixeira comover e convencer os supremos magistrados a sepultar os mecanismos censórios entranhados na Lei 5.250, está automaticamente convocado para obrigar o Congresso " onde milita " a restabelecer o Conselho de Comunicação Social, previsto pela Constituição Cidadã de 1988 e seqüestrado há dois anos pelos interesses escusos dos coronéis eletrônicos.

Denunciados por este Observatório da Imprensa numa representação à Procuradoria Geral da República, continuam na ilegalidade na dupla condição de parlamentares-concessionários. Não será necessário vestir a toga nem desgastar as cordas vocais para desarquivar uma denúncia que poderá acabar com a aberração original da nossa mídia eletrônica.

O fim da Lei de Imprensa não é um fim. É um início. Deve gerar providências complementares imediatas. Um processo de mudança " se é que desejamos efetivamente uma mudança no campo da informação " exige novos instrumentos, novo sistema de forças e freios. Exige, principalmente, uma aliança de vontades, um mínimo de consenso entre os principais atores do elenco.
O fim da Lei de Imprensa não pode parecer uma quixotada.

Texto extraído do Jornal Obervatório da Imprensa: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=536IPB001.




16. Edição de 29.04.2009
VIOLÊNCIA NA ESCOLA: UM ASSUNTO DE TODOS

Convenço-me cada vez mais que a escola é sim um ambiente social formador de cidadãos e que, como tal, cabe a ela uma parcela significativa da conscientização sobre os problemas da vida em sociedade. Na semana passada, algumas reportagens nos jornais me alarmaram muito no que diz respeito à segurança dos professores, servidores e alunos nas escolas brasileiras. É inconcebível que a escola seja o palco do medo e da ameaça física e mental por que passam os profissionais e os alunos.
Segundo minha sociolinguista preferida, a Stella Maris Bortoni-Ricardo (para não dizerem erroneamente por aí que sociolinguista só fala contra a gramática), a educação passa por três domínios importantíssimos: o domínio da família, o da sociedade e o da escola. Minha experiência nas escolas de nível médio me colocou diante de alguns exemplos da formação familiar e social que algumas crianças e adolescentes levam para a sala de aula. Comportamentos distorcidos, agressividade, falta de respeito pelo outro, bullying, uso de álcool e drogas são apenas alguns exemplos do que o professor pode encontrar no ambiente escolar de hoje. Problemas de fora, da família e da má inclusão social, tornam a tarefa do professor ainda mais complexa, pois além do conteúdo formador do desempenho profissional e sociocultural desses alunos, ele ainda precisa lidar com pessoas desestruturadas emocionalmente.
Daí, os jornais estavam repletos de reportagens que diziam que alunos entraram armados na escola e ameaçaram a vida dos colegas e dos professores; alunos que disparam contínuos tiros contra colegas; alunos que assassinaram professores; professores que bateram ou que agrediram física e psicologicamente os alunos. Perguntei-me o que aconteceu com a escola pacífica e amigável que tivemos até o início do século XXI. Algumas enquetes feitas com alunos deixam claro que eles se sentem presos às escolas, que aquele ambiente é para eles um encarceramento e não uma opção, algo bom para suas vidas. Nunca entendi muito bem o porquê dos portões de segurança máxima e o porquê de os alunos não terem passe-livre nas escolas. Olhando-se de fora, a escola é o mundo encantado onde todo mundo quer estar. Olhando-se de dentro, o mundo encantado tem os portões violentamente fechados, e as grades e os muros remetem à prisão de pessoas que ali estão apenas começando uma fase de suas vidas. Seriam elas, então, muito perigosas assim?
Quando questionados sobre o porquê dos portões e proibições, os diretores deixam claro que, como a escola tem uma responsabilidade com os pais, os alunos "devem ser mantidos sob rígida observação e não podem sair de modo algum, a menos que os pais autorizem". A impressão que tenho é que os pais "trancam" os filhos nas escolas para que, naquele momento em que estejam lá, não precisem se preocupar com eles. Além do mais, quem disse que a escola tem responsabilidade com os pais? A escola tem responsabilidade com os alunos.
Os pais são parte do trabalho bem sucedido que a escola pode realizar com seus filhos. Quando falamos da escola já pressupomos o trabalho de criação, formação e manutenção que os pais fazem com seus filhos. Portanto, eles não mandam na escola, não mandam nos professores; eles mandam apenas em seus filhos.
Desse modo, vemos que os muros e as grades das escolas deveriam impedir que os alunos, professores e servidores sofrerem violência de fora da escola, mas as entrevistas denunciam outro tipo de violência. A questão vai muito além de o professor precisar lidar com o jovem adolescente criado por pais que julgam a escola como um tipo de reformatório. A educação começa em casa. A atenção, o cuidado, a manutenção que os pais fazem com seus filhos deve ser contínua. Um bom filho é, na maioria dos casos, um bom aluno. Nós professores precisamos disso, precisamos da ajuda dos pais no cumprimento de seu papel.
Não é justo que tenhamos de lidar com os filhos que eles não souberam criar.
Tive alunos muito complicados que diziam que raramente viam os pais, ou porque eles eram separados ou porque trabalhavam o dia todo e estavam cansados quando chegavam em casa. Um dado relevante de minha própria experiência enquanto professora do ensino médio foi ver que filhos de pais mais humildes são geralmente alunos muito melhores do que filhos de pais com alta condição financeira. Percebo que, nessa segunda categoria, inserem-se aqueles alunos cuja educação é uma mera exigência dos pais e não uma questão real de formação do cidadão.
Assim, considero minha experiência suficiente para afirmar que a violência na escola só acontece porque os alunos já chegam a ela violentados por uma estrutura familiar que precisa mudar. Pergunto-me, então, se não é chegada a hora de certos pais voltarem aos bancos das escolas, e se não é hora de perceberem que a escola nunca foi, não é e nunca será um reformatório. Na minha mais humilde opinião, ela é sim o mundo encantado do saber e do conhecimento analítico, crítico e cidadão que abomina o descaso e o desaconselhamento.

28 de abril de 2009.

Rosângela Neres - Professora de Língua Portuguesa " UEPB. Doutoranda em Literatura e Cinema " UFPB.




15. Edição de 28.04.2009
NEUROECONOMIA

Os cientistas estão associando ferramentas de áreas diversas do conhecimento humano para os estudos de comportamento, procurando com isto saber melhor o que leva as pessoas a comprar, vender ou investir. Três campos científicos associados são os da psicologia, neurologia e economia, que juntos dão sustentação ao que se denomina de neuroeconomia. Este é um segmento da ciência que se desenvolve a contento.

Certa vez Erich Fromm afirmou que "o consumidor é um objeto a ser manipulado, não uma pessoa concreta cujos interesses o negociante está interessado em satisfazer". Como as pessoas hoje vivem numa sociedade de consumo, os vendedores sempre conduzem os compradores a agir no mercado segundo um tipo de comportamento-padrão. É o que a economia rotula de efeito-demonstração e a neuroeconomia chama de efeito-manada, ou seja, as pessoas de um mesmo grupo social procuram imitar seus pares, não importando se suas decisões são racionais ou não.

Na hora de comprar, o cartão de crédito ajuda a fazer as despesas, mormente as supérfluas, pois não se tem a sensação de ficar sem dinheiro no bolso. Na hora de vender, a luta interior se dá com veemência, pois a mente humana tem aversão a perdas. Na hora de investir, a responsabilidade da decisão é repassada ao consultor financeiro a quem se confia e que nem sempre leva a ganhos maiores.

As decisões econômicas são sempre precedidas de embates entre a razão e a emoção. A pressão sentimental que antecede os instantes da compra ou da venda e da poupança ou investimento carrega uma forte carga de emoção, cuja repercussão se dá no bolso e no coração. A racionalidade econômica deve ser sempre o motor da decisão, para garantia da satisfação do desejo sem riscos de prejuízos. O "gostou, levou" ou o "pegou, comprou" não pode ser a regra do desembolso, posto que é uma das armadilhas que a mente prega para deixar o bolso vazio e, às vezes, o coração sangrando.
Ao ver o produto, o cérebro entende que a compra pode resultar em prazer. Ao ver o preço, o cérebro passa a calcular o custo-benefício da compra. Se sentir medo, a compra pode não acontecer. O medo protege de se gastar mais do que se tem, sendo por isto que o cartão de crédito disfarça essa dor facilitando a compra. O consumidor em geral não calcula o alto preço que paga em face dos juros elevados, porque o cartão de crédito o deixa anestesiado pela pequenez da parcela que se alonga no tempo, efeito do neuromarketing que já lhe amaciou o cérebro na antessala da operação da compra.

O indivíduo tem submetido seu cérebro e suas finanças ao bombardeio dos interesses do mercado. Como dessa condição não pode escapar, é importante que tanto saiba resolver qual o momento certo de gastar ou poupar, de vender ou comprar, quanto saiba a decisão que lhe assegure conforto emocional. Deixar-se levar pelas emoções só o faz pobre e tolo e rico e sabido quem alimenta suas falsas necessidades. A mente tem que estar atenta ao uso racional do dinheiro, sem o que mergulha o perdulário nas águas das ilusões.

Texto de Ailton Elisiário
Publicado no dia 22/04/2009, no JORNAL DA PARAÌBA




14. Edição de 27.04.2009
Educação Moral e Cívica no currículo escolar

O ser humano é racional, portanto, é capaz de pensar e refletir sobre os seus atos e suas conseqüências. Mesmo assim, inúmeras reportagens noticiam de maneira estrondosa os crimes contra a natureza (o tráfico de animais silvestres, o desmatamento da mata nativa e a poluição das águas); crimes contra a infância (trabalho escravo infantil e abusos sexuais); violência nas ruas e nos estádios de futebol e a precariedade do sistema público de saúde. Estes são apenas alguns exemplos! Infelizmente, tais assuntos se tornaram freqüentes em nosso dia-a-dia. Devemos ter em mente que fazemos parte de uma sociedade, portanto, nossas ações devem favorecer o bem-estar de todos. Não estamos tratando de um comportamento altruísta, mas sim, de respeito para com o próximo.

Então, por que sofremos com tantas atrocidades? Por que as sociedades estão cada vez mais presenciando cenas que não deveriam fazer parte do cotidiano? Seria uma questão de inversão de valores? Para todas as perguntas acima, consigo pensar em uma única resposta: falta de valores morais.

Anos atrás, tínhamos no currículo escolar a disciplina de "Educação Moral e Cívica". A aula trabalhava questões relativas à sociedade. Naquela época, a Lei 869 de 12 de setembro de 1969, estabeleceu, em caráter obrigatório, como disciplina e, também, como prática educativa, a "Educação Moral e Cívica" em todos os sistemas de ensino no Brasil. A disciplina tinha muitas finalidades, dentre elas o fortalecimento da unidade nacional e do sentimento de solidariedade humana, o aprimoramento do caráter, com apoio na moral, na dedicação à família e à comunidade e o preparo do cidadão para o exercício das atividades cívicas com fundamento na moral, no patriotismo e na ação construtiva, visando o bem comum. Mas, os anos passaram e a disciplina foi extinta de maneira equivocada do currículo escolar.

A disciplina retratada acima não queria nem adestrar nem catequizar as pessoas, mas sim, estimular a reflexão do pensamento voltado aos valores éticos e morais. É evidente que a escola não é a única responsável. Ela é parte de um todo que contribui para a formação e informação das pessoas. Neste processo, a família exerce papel fundamental, uma vez que ela é o primeiro grupo social de qualquer indivíduo. Com isso, na família construímos nossos valores morais e éticos. Com o tempo, tais valores são lapidados de acordo com o fluxo das influências, que podem ser positivas ou negativas.

Para os atuais Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) (1998), moral é sinônimo de saber viver relações justas e cooperativas. Nos PCNs, a Ética é tratada como um tema transversal que deve ser pensado pelos professores, sendo que a formação dos docentes e dos alunos acontece também na prática do convívio social em todos os setores da sociedade.

A Ética abordada pelos PCNs não deve ser tratada como disciplina isolada, uma vez que ela busca contribuir para formar cidadãos mais responsáveis. Uma solução para trabalharmos cidadania e civismo nas escolas seria agregar a cada uma das disciplinas da grade curricular pontos de convergência com a formação moral e cívica dos alunos. Questionando e instigando o pensamento crítico dos alunos, nós, professores, cumprimos nosso dever de cidadãos.

Texto de Cassiane Leonor Sartori Pereira - Professora de Língua Inglesa e Mestre em Linguistica Aplicada. E-mail: Cassi.sartori@terra.com.br " Texto publicado no http://www.mundojovem.com.br.


13 Edição de 24.04.2009
CEGUEIRA COLETIVA

A CORTINA DA REALIDADE COMEÇA A SE ABRIR, E NO PALCO DA VIDA SÃO MOSTRADAS CENAS QUE SÃO IMPROVISADAS NUMA MISTURA ESTARRECEDORA DE OMISSÃO, DOR, VERGONHA, INDIGNAÇÃO E UMA CEGUEIRA COLETIVA QUE ATROFIA E ATROPELA OS MAIS SAGRADOS CONCEITOS DE CIDADANIA E DOS DIREITOS HUMANOS.
SÃO MUITOS OS OLHOS, QUE NA PLATÉIA, OBSERVAM DE LONGE A DECADÊNCIA HUMANA TRANSFORMANDO O LIXO NO PÃO NOSSO DE CADA DIA.
NOS DIAS ATUAIS, TESTEMUNHAMOS O CONTRASTE DO ÁPICE DA TECNOLOGIA EM TODOS OS CAMPOS, EM TODAS AS ÁREAS.
DIARIAMENTE SOMOS MOVIDOS POR MILHÕES DE INFORMAÇÕES, SOBRETUDO DE CONQUISTAS PARA MELHORAR O BEM ESTAR DO SER HUMANO, MAS É NESTE PALCO DA VIDA REAL ONDE A VERDADE APARECE NUA E CRUEL, PORQUE NÃO EXISTE TECNOLOGIA SUFICIENTE QUE TRADUZA O SENTIMENTO DE UM SER HUMANO, QUE PARA EXISTIR, QUE PARA CONTINUAR ATUANDO NO ESPETÁCULO DA VIDA, PRECISA COMER O LIXO PRODUZIDO PELA GRANDE PLATÉIA.
E QUE PLATÉIA SELETA. COMPOSTA POR DIGNÍSSIMAS AUTORIDADES DOS PODERES CONSTITUÍDOS POR ESTES MESMOS FAMINTOS ATORES, QUE DIARIAMENTE PROPAGAM COM ORGULHO OS MAIS MODERNOS E SOFISTICADOS PROGRAMAS SOCIAIS EM TODOS OS TEMPOS.
PLATÉIA ESTA FORMADA AINDA, POR ESTUDIOSOS QUE DISCUTEM COM SABEDORIA OS SIGNIFICADOS DAS LEIS, MUITAS VEZES IGNORANDO A DISTÂNCIA QUILOMÉTRICA ENTRE OS DIREITOS E OS DEVERES.
PLATÉIA ESTA, FORMADA POR VERDADEIROS CIENTISTAS SOCIAIS, QUE BEIRAM A PERFEIÇÃO QUANDO DISCURSSAM SOBRE OS DIREITOS HUMANOS.
E COMO FALAR DE CIDADANIA PRA QUEM COME LIXO?
COMO FALAR DE DIGNIDADE HUMANA PRA QUEM SE ALIMENTA DO LIXO?
EM GUARABIRA, NA TERRA DA 7ª MARAVILHA DA PARAÍBA, O MEMORIAL FREI DAMIÃO. NA TERRA DAS GARÇAS AZUIS, EXISTEM CRIANÇAS QUE NÃO BRINCAM, HOMENS, MULHERES, SERES HUMANOS QUE PERDERAM O PODER DE SONHAR. SERES HUMANOS QUE PERDERAM A NOÇÃO ENTRE A REALIDADE E A FICÇÃO E NO DIA A DIA, NO PALCO DA VIDA, CONTINUA O RITUAL DE UM ESPETÁCULO SEM COR, SEM EMOÇÃO, UM ESPETÁCULO, QUE TEM COMO CENÁRIO A PRÓPRIA MISÉRIA E QUE TEM COMO REPERTÓRIO A DOR E A VERGONHA, UM ESPETÁCULO QUE NÃO TEM SENTIDO CONTAR EM VERSOS E PROSAS PORQUE ELE APAGA A ALMA E MATA A DIGNIDADE DO HOMEM, DA MULHER E DA CRIANÇA, MAS QUE CONTINUA EM CARTAZ, ENTITULADO "A GRANDE CEGUEIRA COLETIVA".

Guarabira(Pb), 23 de abril de 2009.

Leví Lobão - Compositor, cantor e Comunicador da 104,9 FM de Guarabira.




12 Edição de 23.04.2009
CONTROLE DO CÂNCER DE MAMA


No próximo dia 29 de abril, entrará em vigor a Lei n° 11.664, de 2008. A nova lei determina que o SUS assegure a atenção integral à mulher " da prevenção tratamento " dos cânceres do colo uterino e de mama. Trata-se de um avanço que merece ser comemorado, por garantir em lei ações definidas hoje por programas. Porém, ao determinar que a mamografia é assegurada às mulheres a partir dos 40 anos, o texto deu margem a interpretações distintas.

É importante ressaltar que toda mulher brasileira, de qualquer idade, já tem garantido acesso gratuito à mamografia para diagnóstico de câncer de mama no SUS, desde que receba orientação médica para fazer o exame. Para as entidades que têm promovido campanhas pró-mamografia, o texto da nova lei estaria alterando a faixa etária definida para o exame de mulheres sem sintomas, ou seja, para rastreamento populacional. Para nós, essa interpretação está equivocada.

Se não houver indicação médica, a mamografia somente deve ser realizada por mulheres entre 50 e 69 anos, a cada dois anos, com o objetivo de diagnosticar precocemente possíveis casos da doença. Estudos internacionais mostram que é possível reduzir de 20 a 25% a taxa de mortalidade por câncer de mama quando pelo menos 70% das mulheres nessa faixa etária fazem mamografia regularmente, por um período de 10 anos.

A discussão suscitada pela nova lei tem sido direcionada equivocadamente para a ampliação da cobertura de exames de rastreamento para mulheres a partir dos 40 anos. Pesquisas mostram que o rastreamento populacional em mulheres de 40 a 49 anos não evidenciou redução significativa de mortalidade. Também indicaram efeitos adversos, como excesso de diagnóstico e tratamentos desnecessários em mulheres saudáveis nessa faixa de idade.

O controle do câncer de mama é uma prioridade de governo, explicitada, entre outras iniciativas, no programa Mais Saúde. Contabilizamos muitos avanços nos últimos anos, como o aumento progressivo da produção do exame no SUS. Em 2000, foram 1.347.326 mamografias, número que subiu para 2.946.328 em 2008. A meta do Mais Saúde é ampliar a produção para 4,8 milhões até 2011, além de garantir a qualidade dos procedimentos de diagnóstico.

Se houve avanços, há ainda muito a avançar. Atualmente, há 1.246 mamógrafos em operação no país. Esse número permite atender a toda a população, mas ainda temos problemas de sub-utilização de equipamentos e de qualidade dos exames. A organização da rede pública de saúde ainda é heterogênea entre estados e municípios, e o desempenho, desigual.

Problemas complexos exigem ações contínuas e integradas, em diversos campos. Este ano, entre outras ações, implementaremos um banco de dados nacional que vai nos oferecer um mapeamento inédito do câncer de mama no país, com a identificação de todas as mulheres atendidas no SUS. Saberemos exatamente quais as mulheres estão sendo atendidas, de que idade, que tipo de exames estão fazendo, onde e como - informações fundamentais para agir.

O comprometimento de instituições, gestores e organizações da sociedade civil para reverter o sério quadro de mortalidade por câncer de mama da população feminina é fundamental. No Brasil, estima-se 49.400 casos novos a cada ano. Por isso, nada mais importante que mobilizar as mulheres para garantir seus direitos de acesso integral à saúde. Esse, certamente, é o foco.

Luiz Antonio Santini (*)
Publicado no dia 22/04/2009, no JORNAL DA PARAÌBA




11. Edição de 22.04.2009
ADMIRÁVEL ACORDO NOVO


O acordo ortográfico entrou em vigor no Brasil desde o dia primeiro de janeiro deste ano, mas tem causado muita polêmica e muita controvérsia.

Acredito que os esclarecimentos em torno das novas regras gramaticais tenham sido muito claros, mas o que há é a confusão de sempre que circunda o ensino de gramática na escola.

Trocando em miúdos e deixando a coisa um pouco menos acadêmica, o acordo visa a unificação da ortografia nos países em que a língua oficial é o português. Unificação da ORTOGRAFIA. Repetindo: da ortografia. Isso quer dizer claramente que o acordo funcionará sempre para a linguagem escrita. Ainda não entendo o porquê de tanta controvérsia. A dinamicidade da fala continua a fluir como sempre foi: um registro linguístico diferente, com características próprias.

Nas escolas de nossa cidade, o acordo ortográfico causa polêmica. Os professores se dizem prejudicados pela mudança na norma. Os alunos se dizem confusos e continuam a disseminar a ideia de que não sabem gramática, de que não conseguem aprender as regras, principalmente agora com as alterações. Em minha incursão como professora de cursinho preparatório para vestibulares, deparei-me com inúmeros casos de resistência à compreensão da regra. Em minha experiência como professora universitária, continuo a enfrentar a mesma resistência. Nas turmas do ensino Fundamental e Médio, a indignação dos colegas professores é enorme. A minha questão é: por que os professores, os alunos e a comunidade em geral têm essa tendência desastrosa a pouca compreensão do que se refere à própria língua que falam e escrevem?

Ouvi depoimentos de professores que diziam que ensinar gramática é a parte mais complicada das habilidades da Língua Portuguesa. Outros desavisados, que não chamarei aqui propriamente de professores para não ofender aos colegas que realmente estudam, se especializam e levam as licenciaturas a sério, andam criticando os linguistas, por acharem (e aqui é achismo mesmo) que eles corrompem o ensino e a aprendizagem da gramática.

Ora, existe uma diferença muito prática entre os linguistas e os gramáticos: os linguistas são pesquisadores e os gramáticos são vendedores de manuais.

Entretanto, há uma confluência muito especial entre eles: sem os gramáticos, os linguistas não existiriam e, sem os linguistas, alguns gramáticos conceituados como Evanildo Bechara e Mário Perini não existiriam. As pesquisas mostram que as novas gramáticas, comprometidas com o desempenho conceitual da língua que falamos e escrevemos, têm se valido dos resultados no campo da lingüística para tecerem as novas concepções do ensino das normas que regem a língua portuguesa. O ponto positivo nisso tudo é a unificação.

Ao contrário do se pensa, a unificação ortográfica não veio para dificultar o ensino da Língua Portuguesa. Ela é uma pequena tentativa de deixar a língua escrita mais plausível, mais palpável, mais humanizada. A representação da fala tal e qual esperam alguns profissionais não acontecerá. Há que se entender finalmente que fala é fala e escrita é escrita. Toda escrita, que é um registro específico, precisa de regras para existir. Então, quem pensou ou anda falando que os linguistas são "contrários à gramática", melhor rever o seu conceito. Hoje em dia, a dobradinha linguistas x gramáticos está em total estado obsoleto. Aliás, sempre esteve. Os linguistas beberam na fonte dos gramáticos e os gramáticos, por sua vez, decidiram sucumbir aos laboratórios, às pesquisas estatísticas e à compreensão de dados reais da nossa língua, para perseguirem uma realidade linguística mais dinâmica e eficiente.

Vivendo e aprendendo. Esse é o lema para a língua; esse é o lema para a vida. Então, que venha a unificação!
20 de abril de 2009.

Rosângela Neres - Professora de Língua Portuguesa - UEPB / Doutoranda em Literatura e Cinema " UFPB




10. Edição de 21.04.2009
O TEMPO

Há um tempo separando tudo. O tempo não tem pressa mas passa depressa quando tentamos cronometrá-lo. Desliza suave como as águas mansas de um rio, como as cores suaves de um entardecer, como aquele sorriso que traduz esperança... Ah!, o tempo - só o tempo é capaz de nos proporcionar a saudade de um instante que ficou lá atrás, nas esquinas da nossa infância, da nossa adolescência, da nossa juventude... E ele chega mais uma vez até nós, com tom provocador, trazendo aquele mesmo aroma do perfume da primeira paquera, com aquela mesma brisa, mesma canção e estrelas no céu!... que então fazer, se tudo passa mas a lembrança das festas, das paisagens e das pessoas queridas continuam quadro a quadro registradas na nossa mente?

Dar um tempo ao tempo é preciso pois nem só de lembranças se vive. Importante mesmo é tocar o barco prá frente pois o vento é forte e ser bom navegador é a lição número um que o cotidano ensina. Porém, lembranças não se apagam - estamos sempre precisando delas: elas são os carrosséis que equilibram, de certa forma, as nossas ações.

O tempo é um eterno passatempo. Enamora com as horas - tão indefinidas quanto ele; indeciso ele apressa ou adia o que é decisivo. Tudo faz parte de um capítulo chamado destino. E o destino é um bom caçador de detalhes, planeja tudo quando o tudo é nada e do nada se faz para buscar uma perfeição onde os opostos se atraem. A vida faz parte de um tempo mágico, onde o tudo marca mas o nada também marca. Tudo depende de um ponto de vista, do lado bom das coisas. Vive-se rodeado de redemoinhos e de cenas agitadas, mas ninguém pode ser tão insensato a ponto de chegar a desacreditar de si mesmo, se há um tempo para tudo - a vida deve estar acima de tudo: brilhando, alimentando esperanças, semeando palavras, plantando ternura, colhendo os frutos do perdão, brindando com o tempo a taça da solidariedade!

Uma coisa, porém, é certa: o tempo que separa, também une. Pode-se estar a milhares de quilômetros da pessoa amada, querida, adorada... mas existem mil e uma maneiras de contato. O tempo é preciso e precioso. Não inventa bobagens quando estas não queremos. Afinal, o tempo se espelha na nossa própria maneira de pensar e de agir. É um retrato falado do que planejamos, fazemos ou deixamos de fazer. O tempo - esse bendito conselheiro e professor das nossas ações/lições diárias -, depende de nós!

André Filho, Professor e Poeta. - Crônica escrita em 17.06.98 e publicada em vários jornais e revistas, a exemplo do "CORREIO DAS ARTES", de João Pessoa-PB, na edição do dia 02.05.99.




09. Edição de 17.04.2009
Sequestro virtual


É um dos golpes mais banais dos bandidos cariocas; não sei se já está em prática na Paraíba. Ligam para a família de uma pessoa, em geral uma criança ou adolescente, e dizem que o garoto foi sequestrado, está em poder deles. A família tem que levar não-sei-quantos-mil reais num lugar assim-assim, agora, já, senão o menino morre. A verossimilhança do golpe é garantida quando o bandido diz: "Se a senhora não acredita que é seu filho, escuta só". O fone é passado para alguém e ouve-se uma voz abafada, histérica, tartamudeando pedidos de socorro; e logo retorna o primeiro interlocutor: "Vem logo, madame, porque seu filhote tá sangrando muito".

Qual o pai ou a mãe que não treme na base quando uma bigorna dessas lhe cai na cabeça? Eu me considero um homem de sorte, porque já recebi uma dúzia desses telefonemas, mas na primeira vez que aconteceu era cedo da noite, e enquanto a voz desesperada gritava no receptor "pai, pai, eles vão me matar!" eu estava vendo meu filho a poucos metros, lanchando na cozinha. Desliguei o telefone, depois puxei-o para fora do gancho e deixei ali a noite toda, como a polícia aconselha fazer. Não tendo resposta, os caras ligam para o próximo número da lista e vão tentar a sorte com outro infeliz.

Na segunda vez foi mais dramático. Meu filho estava no colégio, era meio-dia, não tinha chegado ainda. A ladainha era parecida, "pai, pelo amor de Deus, tão me batendo!". Bati o telefone. Mas ele ainda estava na rua... quem me garantia coisa alguma? Foram dez minutos de suplício psicológico até que a chave girou na porta e surgiu a silhueta desengonçada, mochila às costas, cabelão, camisa "Clockwork Orange", e aquele ar desligado de quem está sempre pensando noutra coisa e nem sequer estranha chegar em casa para o almoço e ver o pai ajoelhado no centro da sala, beijando o sinteco.

A polícia aconselha ter um código para identificar se é ou não o filho. Zuenir Ventura, no "Globo" sugere tratar os bandidos com ironia. O bandido diz: "Quero dez mil pra devolver seu filho!" E a gente responde: "Dez mil?! Se você me devolver esse pentelho, eu vou querer vinte mil, de indenização!!!". Talvez funcione. Mas já surgiu uma variante. Falsos pesquisadores ficam rondando a sala de espera dos cinemas, de prancheta em punho. Abordam um adolescente, dizem que é uma pesquisa do Ibope (todo brasileiro acredita na existência do Ibope), pedem nome completo, telefone de casa, nome dos pais, etc. Quando o garoto ou a garota entra na sala de exibição e desliga o celular, eles ligam para casa, já com a ficha completa, sabendo a aparência, como estava vestido, etc., e dizem: "Olhe, madame, só não boto pra falar com a senhora porque meus colegas acabaram de levar ela pro quarto dos fundos". Os pais ficam no mesmo dilema de Pascal quanto à existência de Deus. A possibilidade de perda, se acreditarmos e aquilo for mentira, é pequena; mas se não acreditarmos e for verdade, quem pode calcular?

Texto de Bráulio Tavares - Publicado no Jornal da Paraíba, edição de hoje, 17 de abril. Braulio Tavares nasceu em 1950, na cidade de Campina Grande, PB. É Escritor e compositor. Publicou, entre outros, A espinha dorsal da memória. Contos (1989/1996); Mundo fantasmo. Contos (1996/1997); Como enlouquecer um homem: as mulheres contra-atacam. Humor (1994/1997) e A máquina voadora. Romance (1994/1997). Escreve sobre Cultura, todo dia, no Jornal da Paraíba.




08. Edição de 16.04.2009
Por onde andas, conscientização?

Era uma vez um município pequeno, subdesenvolvido e pacato onde reinavam duas grandes senhoras: a corrupção e a alienação. A corrupção, muito esperta e perspicaz, questionou a alienação, sem ao menos dar tempo para que esta respondesse:
- Quanto custa seu voto? Eu compro, desde que eu não tenha compromisso com o desenvolvimento do município.
- Eu ganho, governo pra quem me convém governar e pronto, tá tudo certo.
Afinal, já comprei e paguei o seu voto e não te devo mais nada.
- Eu sempre compro seu voto mesmo! Aliás, como é o seu nome!? Eleitor...!?
- Tudo bem eleitor, coloque seu preço pra próxima eleição que já estou providenciando o dinheiro!
A alienação, sempre passiva, ingênua e cordata, apenas ouvia. E a corrupção disparava:
- Quem liga para plano de governo e a possibilidade de governar de forma diferente!? Ninguém liga pra isso, pois o importante eu já faço. Eu compro seu voto. E esse negócio é muito lucrativo: pago por seu voto, você vota em mim, padece quatro anos, seus filhos vão embora e eu continuo aqui, sempre ganhando.
E o falatório continuava cinicamente:
- Como...!?
- Comprando voto, pois não preciso de plano de governo ou de proposta para governar, eu preciso é de dinheiro e pessoas dispostas a venderem seu voto. Por isso, trabalho os quatro anos de forma que no último as pessoas tenham necessidade de vender seu voto.
Eu trabalho muito, você nem imaginam quanto.
Ainda tenho que lutar contra a tal da conscientização, que aparece raras vezes, com o discurso de governo participativo e democrático, quem se importa com isso...? O importante é sempre um bom negócio! Eu compro seu voto e ganho de qualquer forma. E o melhor, compro seu voto usando o seu próprio dinheiro, mas você não está preocupado com isso, né mesmo?
Afinal, preocupar-se implica pensar e pensar é muito cansativo, por isso, eu me sacrifico a pensar por você.
A alienação, que continuava a ouvir inerte, achou tudo aquilo muito interessante e prático. Aceitou a proposta da corrupção apenas com um balançar de cabeça, já que falar também é muito desgastante.
E assim, a corrupção continua a reinar com o total aval da alienação, já que a conscientização parece estar de férias.

Jeferson Silva,
Itagibá - BA - por correio eletrônico
Endereço eletrônico: son_letras@hotmail.com. Crônica publicada no jornal Mundo Jovem, edição on line, http://www.mundojovem.com.br/cronica-por-onde-andas-conscientizacao.php Acesso em 15.04.09, às 22h11.




07. Edição de 15.04.2009
ESCREVER VALE A PENA

O JORNAL DA COMUNIDADE nasceu há poucos dias e já se constitui um marco do jornalismo guarabirense. Um jornal que se diferencia pela aproximação direta com o povo, onde "o povo é a voz da notícia". Um dos quadros deste jornal se destaca pela sua importância. Estou falando deste espaço dedicado à leitura de textos escritos pela comunidade local, por pessoas das mais variadas idades, escolaridade e grau de instrução. Professores, escritores, estudantes dentre outras autoridades se tornam iguais na escrita e passam a comungar do mesmo pensamento: um mundo mais justo, sem tantas desigualdades sociais.
O primeiro texto que o JORNAL DA COMUNIDADE divulgou, da professora da UEPB, Rosângela Neres, tinha conexão direta com a temática da semana passada, quando era discutida a questão do meio ambiente em Guarabira. A crônica intitulava-se: "Educação e Meio Ambiente". Na terça-feira foi a vez da leitura de "Defasagem das Aposentadorias", texto recebido via e-mail.
Na quarta-feira, dia 08, "O futuro do planeta depende de cada um de nós", de minha autoria, foi a crônica do dia. Aliás, publiquei também este texto no portal Recanto das Letras, onde tenho uma página pessoal. O texto foi bem aceito, tanto pelos ouvintes da 104,9 FM quanto pelos leitores do Recanto das Letras. Lá, do Recanto, destaco um dos comentários recebidos, da leitora/escritora, Rejane Chica, de Porto Alegre-RS. Ela escreveu sobre minha crônica: "Cada um pode fazer um pouco. Ensinando as crianças desde pequeninhas, já podemos ver uma nova mentalidade surgindo para a próxima geração. Não podemos desistir, mesmo que fiquemos chateados de tantas coisas... Um abraço e vamos lá, cada um de um lado, uma ação daqui e outra de lá. Ao fim, espero que melhore. Mas, é certo, estamos vivendo sérias mudanças devido à destruição... Chica". Também recebi uma correspondência eletrônica da professora Tânia (email: taniamangueiradelima@hotmail.com), a qual fez a seguinte referência: "Olá André! Li seu texto a respeito do meio ambiente e adoraria sua permissão para usá-lo na rádio em minha escola, pois temos sempre o objetivo de levar mensagens de reflexão e conscientização aos nossos alunos. Obrigada." Não sei ainda de qual Estado é Tânia, mas de imediato, respondi ao seu e-mail autorizando a leitura do texto. Na quinta-feira, dia 09, a crônica intitulada "Eles e eu", do jornalista José Nunes foi a leitura do dia.
Nesta segunda semana de jornalismo foram lidos dois artigos: na segunda-feira, 13, "Páscoa é passagem", da professora Rosângela Neres; enquanto que ontem, dia 14, "Itens da Paz", de Rafael Holanda, foi o texto do dia.
Assim, cada texto tem a sua importância. São ingredientes que engrandecem o JORNAL DA COMUNIDADE, que motivam os ouvintes a melhorarem a cidade e também a exercitarem a liberdade de expressão. Isso mesmo, a liberdade de expressão no ato de escrever, como garante a própria Constituição! Afinal, um espaço como este que a emissora desmobiliza a você amigo, amiga ouvinte, pouquíssimas rádios oferecem, portanto não perca mais um segundo... Lápis e papel na mão e comece a escrever hoje mesmo sobre os mais variados temas. Reivindique, mostre sua visão crítica em relação ao ambiente onde vive, a cidade, o lado urbano e o rural. Fale no seu texto sobre a educação, a arte, a cultura, a saúde... Fale de amor, de esperança, de solidariedade... Há uma infinidade de temas sobre os quais você pode e deve escrever.
Não é preciso ser escritor profissional para escrever bem. Importante mesmo é que, na simplicidade das suas palavras, todos possam entender a sua mensagem. Amigo, amiga ouvinte, disponha deste espaço, escreva, envie e-mail ou traga sua crônica, carta ou artigo à Redação da 104,9. Espero ter a honra de ouvir a leitura dos seus textos nas próximas manhãs.

André Filho " Professor, Poeta e comunicador da 104,9 FM - DIVULGADA NO JORNAL DA COMUNIDADE, 7ª EDIÇÃO, QUA, 15.04.09




06. Edição de 14.04.2009
Itens da paz

Ao cair em algum erro e conseguir saber disso, já leve consigo uma grande força de sua verdade, buscando uma maneira de retificar-se.
Guarde as lições do passado, e veja quais as que são necessárias permanecer no seu velho livro de orientações, pois aprendizagem não amarela com o tempo.
Procure buscar em cada conselho uma porta maior para suas necessidades, e na dinâmica de sua fé, a chave de tudo isso se encontra ao seu lado.
Não condene, e nem atire a primeira pedra por ouvir dizer, e mesmo sabendo, não esconda o seu primoroso prazer de trazer o perdão.
Procure compartilhar estradas sem olhar para o chão, e ajude quem necessita a encontrar dentro de si o que não sabe explicar, ou não sabe como vencer as barreiras.
As rudezas de suas palavras podem ajudar alguém que por infelicidade expõe erros de sua vida; saiba com procede a flor, quando lhe jogam água fervente.
Não critique as experiências malsucedidas, pois estaremos apontando o erro que é nosso, e que precisamos corrigir em rotinas diárias.
Não lance maldades para teu irmão, pois serão carreadas de volta a você; tudo aquilo que pense se fortifica; se transforma em arma, e mata sentimentos.
Não esqueça que Deus é amor, de suas mãos não sairão gestos de maldades, o essencial é que possamos entender que o gesto do mal surge do criadouro, que guardamos no coração.
Faça dos seus sofrimentos, gestos que ajudem ao que sofre, pois com a força dos seus atos, a mão divina lhe ensina a libertação tão almejada.
Não se revolte se muitos amigos fugiram do caminho da esperança; cumpra o seu dever, e pela beleza do seu trabalho, muitos haverão de retornar.
Saiba que o simples gesto de doar uma vestimenta ao que se agonia na dor do frio; equivale a um remédio potente capaz de curar uma moléstia grave.
Por ser cíclica, a vida impõe uma renovação diária, um silêncio caridoso, uma mão que alcança a dor, ou ao retirar perdidos no relento, complementam os sete mandamentos que faltam.
Silencie coisas que possam prejudicar se não puder ajudar se curve as orações, para que o olho maior do universo seja benevolência e caridade.
Suas discriminações podem matar a esperança de muitos, suas perseguições o transforma em doente, necessitando de internação na clínica do silêncio e da prece.

Rafael Holanda - Crônica publicada no Jornal da Paraíba, na edição de 08/04/2009 - http://jornaldaparaiba.globo.com. DIVULGADA NO JORNAL DA COMUNIDADE, 6ª EDIÇÃO, TER, 14.04.09




05. Edição de 13.04.2009
PÁSCOA É PASSAGEM

A Semana Santa e a Páscoa terminaram. O ano realmente começa agora, porque tudo o que planejamos fazer leva o tempo necessário de adaptação à nova realidade para acontecer. Já sabemos que as festividades do ano novo estão sempre encadeadas ao carnaval e à Semana Santa. Como a Páscoa significa "passagem", é a partir dela que nossos planos serão concretizados ou não.
A Páscoa é também repleta de superstições e acontecimentos interessantes. Vi um monte de gente abarrotada em um único lugar para comprar os famosos ovos de chocolate. Nas feiras, a corrida pelos peixes mais gostosos e mais "em conta", mesmo que a autoridade máxima da igreja católica tenha liberado o consumo de carne. As tradições permanecem, mas nem sempre elas têm a mesma essência de tempos atrás.
O consumismo gerou um novo tipo de celebração. Durante a Santa Semana muitos são os exemplos de falta de humanidade que vejo em algumas pessoas. Vale mais quem tem mais pacotes nas mãos. Significa que seu dinheiro conseguiu comprar as bagatelas essenciais da época. Pergunto-me onde está a fé, a caridade, a bondade, o pensamento no outro? As pessoas estão bem menos caridosas e bem menos amigáveis. Nem mesmo a Semana Santa e a proximidade da Páscoa, com todo seu significado e beleza, conseguem quebrar o gelo dos consumistas.
O pior lugar para se confraternizar é a loja de doces. As pessoas comem seus chocolates, tortas e sorvetes sem olharem de lado. Isso, de repente, lembrou-me uma passagem da carta do Cacique Seattle ao presidente Franklin Pierce, pura poesia, lá em 1855, que eu poderia muito bem adaptar para nossa realidade, dizendo que a nossa humanidade parece ter sido derrotada pelo consumismo e que, depois da derrota, passa os dias ociosa e envenena seu corpo com alimentos doces e bebidas ardentes. A diferença, nesse caso, é que o Cacique intencionava a passagem de seu mundo para a prosperidade, e estava muito triste com a apatia de seu povo debruçado ao consumismo, ao vício e ao ócio; eu, sinceramente, não sei da intenção de nosso mundo.
Creio que as pessoas que reconhecem exatamente que a Páscoa é passagem, sabem que suas vidas serão modificadas a partir da segunda-feira pós-feriadão. O que antes era festa de rua e gastos além do orçamento agora pede parcimônia. O apenas "celebrar" transforma-se em "celebrar a vida", com a construção de algo novo, com um trabalho mais elaborado e mais cuidadoso, com um olhar para as pessoas que nos cercam, com a mão estendida ao amigo que precisa, guiando-lhe para uma também concretização de planos.
Acredito que viver é muito mais do que se aproveitar os dias em festas e fanfarras. Viver é desenvolver um ideal, lutar por ele, fazê-lo crescer, florescer, dá frutos e passá-lo adiante. Esse sim foi sempre o verdadeiro significado da Páscoa.
13 de abril de 2009.


Rosângela Neres - Professora de Língua Portuguesa " UEPB / Doutoranda em Literatura e Cinema " UFPB. DIVULGADA NO JORNAL DA COMUNIDADE, 5ª EDIÇÃO, SEG, 13.04.09




04. Edição de 09.04.2009
ELES E EU


Na noite de sábado tive agradável momento partilhado com pessoas que sempre desejei estar no meio delas. Na comunidade Sitio Nossa Senhora da Luz, em Guarabira, as famílias deram-me esse momento aguardado com ansiedade, pois estamos unidos por laços construídos com os mesmos fios de esperança e de fé, quando junto com meu irmão de sangue e de criação, Padre Gaspar, refletimos a mensagem de esperança naquele dia.
Foi a primeira vez que juntos celebramos o mistério pascal de Cristo, nestes três meses de ordenação diacional.
A missa presidida pelo meu irmão padre e por mim concelebrada, enquanto diácono, deu a dimensão de quanto somos capazes de criar ambiente de partilha e de fraternidade entre gente aberta ao influxo do Espírito renovador e condutor de paz.
Tenho sempre um olhar amigo para estas pequenas comunidades do campo que sempre se abrem ao acolhimento de quem se aproxima dela, repartindo o alimento e os dos espirituais. Nesta comunidade visitada, de modo diferente, ganha dimensão ainda maior pois está aberta a assimilar os ensinamentos refletidos naquele momento e transmitidos com augúrios de ajudar na construção de paz duradoura, pois desejamos que abram novos caminhos e permitam edificar a casa com o barro da mesma fé.
Olhando acomodados naquela pequena capela construída pelas mesmas mãos calejadas, de agricultores com ouvidos aberto à Palavra, é fácil identificar quanto se deixam conduzir com fidelidade ao que aprenderam.
Sobretudo tem ganância de servir, desejam estar no final da fila, de partilhar o produto da terra com o mesmo sorriso e aperto de mão contagiante.
Voltei daquela celebração ainda mais identificada com os anseios do povo humilde. Essa gente que clama de coração desocupado para receber mais dádivas divinas.

José Nunes - Publicada no portal http://jornal.onorte.com.br. DIVULGADA NO JORNAL DA COMUNIDADE, 4ª EDIÇÃO, 09.04.09



03. Edição de 08.04.2009
O FUTURO DO PLANETA DEPENDE DE CADA UM DE NÓS

Não data dos dias atuais a preocupação do homem em relação ao meio ambiente. Um olhar voltado para as questões da preservação da fauna e da flora, por exemplo, vem de décadas, de séculos passados. Entretanto, poucos dizem SIM ao meio em que vivem e a maioria fala NÃO, degrada, polui, modifica a paisagem natural, dando vez a um ambiente onde já não se consegue respirar, viver, conviver e sobreviver.
Em nome do progresso, da modernidade, da tecnologia e do capitalismo sem limites, ética e respeito, o homem se sente um "deus", brinca de ser "deus" e cai na sua própria mania de grandeza, de narcisismo que levam para o fundo do poço todas as possibilidades de um planeta com equilíbrio ambiental. O planeta, atualmente, encontra-se em desequilíbrio, e caminha rumo a um futuro incerto.
Em nome do dinheiro, do egoísmo e da ganância de alguns privilegiados capitalistas, o nosso planeta pode estar com dias contados. Somos sabedores que a Terra é um super-organismo vivo, onde todos os elementos que a compõe têm a mesma importância, tudo interage, tudo se equilibra, tudo se renova. Homem, fauna, flora são elementos importantes do mesmo conjunto. Mas não é assim que o homem moderno pensa e age. O homem moderno tem sede de conquista: dominou todas as outras espécies existentes no planeta, conquistou mares, terras, continentes... e agora quer ir além de todas as suas possibilidades, com um olhar voltado para as estrelas. É essa mania de grandeza, de superioridade que está pondo tudo a perder.
Certa vez escrevi em um dos meus blogues, na Internet: "O homem moderno é como uma praga de gafanhotos, por onde passa destrói tudo". Será que estou sem razão, que estou filosofando erroneamente? Não é preciso ir muito longe para entender tal realidade. Pense comigo e perceba em sua volta o quanto o meio ambiente está modificado! Quem é mais velho, mentalize, neste instante, cenas da paisagem de Guarabira há décadas e compare-as com as do cotidiano? Havia muitos animais? E hoje? Havia muita vegetação? E atualmente? As pessoas eram mais felizes, conversavam mais, tinham mais tempo para si mesmos e para com os semelhantes? O que aconteceu então, nesse piscar de olhos do ontem para o agora? Agora sofremos com o calor, sentimos a irregularidade das chuvas, nos assustamos quando chovemos e até pensamos que o clima deve estar louco.
"Não há um lugar quieto nas cidades do homem branco", esta frase célebre do Grande Cacique Seatlhe pesa na consciência do homem atual, pois o que o índio disse no século XIX piora a cada dia, até mesmo nas menores cidades do mundo. Esse mesmo cacique norte-americano afirmava: "Quem cospe no solo está cuspindo em si mesmo". Ele tinha razão: a própria natureza reage aos maus-tratos do homem, com manifestações sob forma de temporais, ciclones, furacões, superaquecimento global etc. e tal.
O futuro do planeta não está nas mãos de grandes entidades que se dizem protetoras do meio ambiente. Já está provado que, quem pode amenizar os sofrimentos da mãe-terra, da ecologia, dos animais, das plantas, dos rios, dos mares somos nós mesmos: eu, você... Aqui mesmo em nossa volta, na nossa casa, na escola, na rua, aonde quer que estejamos que possamos praticar ações em prol do meio ambiente. Portanto, não devemos poluir as fontes, os rios, os riachos; não devemos caçar, aprisionar, matar os animais silvestres; não devemos derrubar as matas, as árvores, cortar as plantas. A maior herança, exemplo de vida e de respeito que poderemos deixar para os nossos filhos, netos, bisnetos e todas as futuras gerações, é a de que preservamos e cuidamos com carinho e atenção o meio ambiente.
Ainda é tempo de cada um, de cada uma de nós salvar o mundo ao nosso redor.

André Filho - Professor, Poeta e comunicador da Rádio Comunidade Geral FM - DIVULGADA NO JORNAL DA COMUNIDADE, 3ª EDIÇÃO, 08.04.09



02. Edição de 07.04.2009
DEFASAGEM DAS APOSENTADORIAS

LEI 3299 seja aprovada.
Repassem e avisem seus amigos e familiares que já se aposentaram!!!
Pessoal:
Vamos todos entrar em contato com o telefone 0800 619 619, opção 1 e dar nosso apoio ao Projeto de Lei nº. 3299, cuja proposta garante a aposentados e pensionistas, a recuperação do poder aquisitivo à época da concessão do benefício, por meio do sistema de reajuste. O projeto já foi aprovado pelo senado e ainda não foi para a câmara. Acompanhemos.
Como todos sabem, mesmo contribuindo pelo teto máximo, as aposentadorias vão ficando defasadas, ano a ano, devido, principalmente, ao reajuste diferenciado que o governo dá ao salário mínimo e contribuições do pessoal da ativa e aos aposentados, com reajuste sempre insignificante para estes últimos.
Isso resulta, ano a ano, numa enorme defasagem para todo aquele que sempre contribuiu com o teto máximo, se aposenta pelo teto máximo e nunca mais consegue receber pelo teto máximo.
Assim, vamos nos unir e telefonar para o 0800 619 619, opção 1. A atendente irá solicitar alguns dados e, a seguir perguntar qual o assunto.
Basta solicitar que a Lei 3299 seja aprovada. A mensagem pode ser encaminhada para deputados que você queira indicar, a três estados ou às bancadas de até três partidos.
http://www.camara.gov.br/ sileg/Prop_Detalhe.asp?id=391382
Não deixe de se manifestar. Existem pressões para o presidente Lula vetar a lei, se for aprovada.
Façamos uma corrente de cidadania.
SE VOCÊ NÃO SE APOSENTOU UM DIA SE APOSENTARÁ. CUIDE DO SEU FUTURO AGORA!

(Texto recebido por e-mail) - 07.04.09




01. Edição de 06.04.2009
EDUCAÇÃO E MEIO AMBIENTE


A questão da preservação do meio ambiente também é um assunto da sala de aula. Falo de como a criança toma consciência da importância de preservar o espaço onde vive, interage com a família e com as outras pessoas. Falo de como a educação pode promover essa consciência e de como os hábitos do aluno podem se modificar, e de como ele pode auxiliar sua comunidade a também ser conscientizada sobre o assunto.
Toda a discussão que essa temática envolve, na atualidade, não é nova. Fala-se dessa preservação há muitos anos, mas ela passou a ter espaço na mídia e nos meios de comunicação apenas a partir do início dos anos 90, quando foram divulgadas as preocupações governamentais com a deterioração da camada de ozônio. A partir daí, acredito que o processo de consciência ambiental só tenha sido revisto e atualizado.
Apesar de sentir que apenas uma pequena parcela da população tem realmente se preocupado com a questão ambiental, vejo que grande parte da consciência em torno da preservação dos bens naturais parte da escola. Campanhas como Reciclar, A Hora do Planeta, Água Para Todos, Reflorestar é Viver partem do princípio de que é a educação que norteia a aplicação, a manutenção e o contínuo aproveitamento da ação em torno da preservação do meio ambiente. E o mais interessante é que, uma vez mediado, discutido e posto em prática, através do trabalho exercido pela e na escola, o aluno ora cidadão passará suas atitudes à diante e buscará fazer sempre sua parte no tocante a sua comunidade e aos espaços além dela dos quais fizer parte.
Mais uma vez, vale lembrar que o melhor parâmetro para atitudes conjuntas das melhorias ambientais é a nossa própria casa e nossos hábitos de preservação. Somos na comunidade em que vivemos aquilo o que somos dentro de nossas casas. Acredito que, se a nossa ação efetiva rumo a essas melhorias começar com atitudes simples como o reutilizar, reciclar e economizar, um grande passo rumo à preservação do meio ambiente terá sido dado.
06 de abril de 2009.

Rosângela Neres - Professora de Língua Portuguesa - UEPB /Doutoranda em Literatura e Cinema " UFPB
  Autor:   Vários Autores. Foto: André Filho.





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